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Hoje, poderíamos estar comemorando o Dia Nacional do Turismo com os números divulgados pela Embratur que mostram que, no primeiro trimestre de 2024, o Brasil registrou a maior receita da história com turismo internacional. Mas, infelizmente, a mesma força da natureza que encanta tantos turistas, mostrou também que temos que cuidar da nossa casa, do nosso planeta e comprovou a antiga máxima que cidade boa para o turista deve ser, em primeiro lugar, boa para o seu cidadão.

A calamidade que está acontecendo no Rio Grande do Sul é uma demonstração clara que nossas cidades, incluindo destinos turísticos consagrados como os da Serra Gaúcha, precisam de investimentos, atenção continua e não só nos equipamentos turísticos para estarem preparados para as intempéries da natureza.

Vivemos um momento difícil em que primeiro devemos socorrer as vítimas, dando-lhes toda assistência necessária, mas não podemos deixar de pensar em combater as causas e encarar essas questões de frente, criando condições para não apenas recuperar o que existia antes, mas também investir para que as variações climáticas - que já se apresentam como o novo normal - não se tornem uma grande calamidade como estamos presenciando agora.

Nós, como agentes do turismo, temos que encarar a responsabilidade e o dever de agir juntamente com nossas autoridades, em todos os níveis, para que nossos municípios recebam os investimentos necessários em infraestrutura para que se tornem seguros.

Assim como na pandemia, quando o turismo foi o primeiro a parar e o último a retomar suas atividades, essa catástrofe que estamos presenciando não termina quando as águas recuarem. O setor de turismo não volta ato continuo aos índices alcançados anteriormente. Precisamos sempre estar um passo à frente, tratando o setor como a grande indústria que é, geradora de empregos e renda, estabelecendo não só programa emergenciais, como foi o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) que salvou milhares de empresas e empregos, mas ações permanentes de investimentos e estímulo.

Que essa tragédia sirva de aviso para que nossos múltiplos destinos tomem providências antes de fatos semelhantes se consumarem. O turismo tem o poder de transformar um simples lugar em grande destino, impulsionando sua economia e melhorando a qualidade de vida de seus moradores, e por isso, no Dia Nacional do Turismo, não podemos falar do setor sem destacar a importância da sustentabilidade em todas as nossas atividades e o que está acontecendo no Sul do país nos mostra isso com clareza.

Respeitar os limites da natureza e entender seu fluxo para projetar o futuro de um destino não é mais um diferencial. É uma necessidade cada vez mais perene para aqueles que querem seguir com segurança pelos caminhos que nos levarão em direção ao país que buscamos.

Manoel Linhares, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – ABIH Nacional